#1st InstagramCheckIn – @Bambiyoda

Começo com um perfil que me deixou pensativa no que toca à minha falta de organização de diários, notebooks, journals, agendas, o que lhes quiserem chamar. Quem é que não teve agenda com cadeado em adolescente? Quem é que não escrevia cartas para amigas nas férias de verão? Ainda são do tempo dos Penpals? Amigos que fazíamos através de correspondência. Quem é que não escrevia cartas de amor, de amizade? Simplesmente escrevia-se, à mão, no papel, fosse para quem fosse, deixavam-se notas e recados para os pais quando saímos com os amigos. Quem nunca escreveu “de mim para mim”?

É tão bom recordar momentos ao ler como foram descritos por nós há anos atrás. Os namoricos, os desgostos de amor, as férias, o primeiro beijo, as idas ao cinema, os primeiros festivais de verão, as listas de prendas no Natal, as festas de aniversário…

Sempre tivemos agendas, diários e o mais engraçado é que agora há dias em que não lhes tocamos. Porquê? Esses cadernos continuam a existir, mas agora existem umas coisas que se chamam de smartphones que dizem que até dá para organizarmos as nossas agendas e até têm lembretes. Pois… não é a mesma coisa! Ajudam a lembrar um evento ou um aniversário, mas não nos ajudam a eternizar momentos com tamanha descrição como a exigida para mais tarde recordar.

Num dos momentos instagram, descobri este perfil, com fotografias de journals que pareciam já vir assim de origem, de compra, porque o sentido estético, a caligrafia, os desenhos, está tudo muito bem feito. São duas melhores amigas que os preenchem e têm tanto de bonitos, como de artísticos, são uma verdadeira inspiração.

Tive que saber mais sobre estas duas amigas, afinal de que serve publicar fotos se isso não despertar curiosidade e ser um meio de nos conectarmos com pessoas incríveis? Foi isso que aconteceu.

Rita e Maria Inês de onde são e como se conheceram?

Acho que só com esta pergunta me percebo que a nossa história é tão desinteressante, queria escrever “numa viagem” ou “numa aventura na Terra Média para destruir o One Ring e salvar todas as criaturas”, mas na verdade eu (Rita) tinha 12 e a Inês tinha 11. Então a muito detalhada história (risos) é que a Inês era aluna da minha mãe, estudávamos na mesma escola na “cidade” da Lixa e depois, de alguma maneira, eu fui parar à festa de aniversário dela e já nem me lembro como. Já passaram dez anos, *suspira* nem acredito. Entretanto entre as várias fases da adolescência acabamos inseparáveis, para sempre – atribuímos sem dúvida a razão de passarmos tanto tempo juntas à falta de coisas para fazer às aspas que coloco em “cidade” da Lixa. A Lixa é uma avenida, com uma Staples (sim a loja de material que conhecemos de fio a pavio, de todas as vezes que lá fomos sentar na cadeira do mês e fangirl nas canetas que íamos comprar em Setembro quando a escola começasse). Sempre fomos pessoas criativas e ligadas de alguma maneira às artes (eu como hobbie e a Inês como ambição futura) acho mesmo que os planetas se alinharam  para que tudo isto acontecesse. Somos originalmente da mui bela cidade de Amarante que adoramos e onde fizemos o secundário.

Pelo que percebemos nos vossos perfis de instagram, são estudantes. De medicina e arquitectura?

Exactamente, e desde que nos conhecemos que sabemos o que queremos.
Acho que é mais uma das coisas que faz a manutenção da nossa ligação, quis o destino que tivéssemos a mesma Alma Mater e apesar de estarmos em diferentes pólos e diferentes cidades envergamos o tricórnio minhoto com orgulho. Acho que por serem cursos particularmente exigentes e que requerem muito sacrifício principalmente social ajuda a manter esta ligação – é okay passarmos 3 meses sem nos vermos, quando voltamos é a mesma coisa e passamos horas a queixar-nos do quão difícil é tudo e do quão fartas estamos. Mas é só fita.

Quero saber como surgiu esta ideia de fazerem journaling?

Há muito muito tempo tempo numa galáxia muito distante que se situa na sala de estar da casa da Inês, depois do tédio que era morar na Lixa e da nossa impaciência em esperar por setembro para comprar os livros e cadernos decidimos começar a fazer este journaling nos cadernos da escola, ninguém tinha material igual ao nosso que passávamos semanas do verão a recortar, colar e desenhar ao som dos 4 DVDs do Live8 e pode soar triste mas nós divertíamo-nos imenso e ainda mantemos estas relíquias em casa. Assim mais  a serio que de cadernos e agendas e sobre o journaling do dia-a-dia começamos no secundário com as agendas escolares, muito cinzentas para a nossa criatividade.  O Bullet Journaling que é o que agora mostramos no @bambiyoda começou este ano.

O jeito para o desenho ajuda? 🙂

Ajuda claro, mas não é o essencial. Acho que chamamos ao que fazemos técnica mista – fitas colas, recortes, colagens, desenho, caligrafia, autocolantes. A verdade é que a prática faz a perfeição e estamos nisto há alguns anos.

Quanto tempo do vosso dia guardam para preencher os vossos journals?

Esta pergunta tem muitas respostas, depende. Depende do tempo que temos e se o mês está a acabar. Acho que por dia pode variar entre 15 minutos a 1 hora a 3 horas no café juntas a falar, beber café e journaling. Mas há semanas que não dá mesmo para fazer mais que a to-do-list desse dia. Sempre que um mês acaba e outro começa perdemos mais tempo a fazer o separador do mês, o habit tracker e o spread semanal que se segue é tudo isto requer bastante tempo porque tem todo um processo criativo.

Quais são os vossos interesses além da medicina e arquitectura?

Comuns temos muitos, o cinema – como disse a Lixa não tem muito que fazer então apaixonei me pela sétima arte e arrastei a Inês comigo. Ainda agora a pergunta “que tens visto?” surge sempre e falamos frequentemente das idas ao cinema de cada uma e muitas são as vezes que trocamos mensagens em caps lock com sugestões de algo que adoramos; a música – acho que podemos dizer que temos um gosto quase eclético cujo tronco e raízes são comuns, crescemos juntas e notar-se. Ainda o ano passado ouvimos a Fear of the Dark dos Iron Maiden ao vivo rodeadas de 18 mil pessoas no pavilhão Atlântico, um sonho de miúdas. A fotografia, a papelaria, e os Funkos – vá bonecos em geral.

Como definem os vossos journals? Existe alguma lógica, ou vão fazendo ao sabor do vento?

Completamente ao sabor do vento. Definir um journal é díficil porque é algo muito pessoal.

Quantos journals já têm, sabem?

Agendas decoradas com journaling no meio temos quase uma dezena cada. Journals mesmo eu já vou no terceiro só este ano (pelo menos para bullet journaling) e a inês no primeiro para isto – tem uma letra pequenina e faz magicamente render o papel, mas tem muitos para as visitas que faz e obras de arquitectura que gosta. Eu tenho ainda o meu gratitude log que é só em si um journal e outro para coisas que requerem mais escrita ou dar Entry de momentos que não me quero esquecer.

Como organizam o vosso dia habitualmente?

Outra coisa que depende. Se tivermos muito muito para fazer como na semana antes de um exame ou entrega é quase tudo planeado para cada hora do dia. Mas de resto é quando nos sentamos e temos tempo organizamos os afazeres ou naquele dia ou no dia antes para preparar o dia que se segue. 

Usam To-Do lists?

O Bullet Journaling é mesmo isso, uma to-do list. Nós só embelezamos e adicionamos coisas como trackers de sono e de hábitos, os filmes que vemos e o que fizemos de especial nesse dia. Na verdade é uma das coisas que mais gostamos no bullet journal, a liberdade e versatilidade.

O que é necessário para fazer journals tão bonitos como os vossos?

Awww, vocês fazem-nos corar. Primeiro nós somos fãs da caneta preta fina e de resto só inspiração haha. Tudo o resto são extras – as brush pens , as washi tapes, autocolantes, recortes de revistas ou de panfletos, e marcadores e lápis de cor. Os nossos encontros de journaling tem que ser agendados para prepararmos o “arsenal”!

Adoram stationery, onde compram os vossos artigos, desde canetas a washitapes?

Ora bem, as nossas canetas favoritas são as Muji 0.38 pretas. Da loja da Muji em Lisboa, cuja secção de papelaria é um pedacinho de céu na terra – a muji conjuga o simples com a imensa qualidade a um preço muito acessível. Os nossos journals, são cadernos da Purple Pineapple Design, feitos à mão pelas incríveis Natacha e Joana. São lindos, leves e aquele papel até com aguarela aguenta e o pormenor de os pontinhos das folhas serem arroxeados arrebatou-nos e somos muito fãs. Para adicionar ao facto de serem feitos com muito amor em Portugal.
De resto as washi tapes vem maioritariamente da Flying Tiger, temos da Ale-Hop e da Fnac mas muitas coisas vieram do Ebay, principalmente os autocolantes.
Outros essenciais são as Tombow e as Pitt Artist Pen da Faber Castell que ajudam na caligrafia.

Com o que é não perdem tempo?

A fazer os spreads mensais que muitas vezes se vêem nos BuJos (diminutivo de Bullet Journals), somos preguiçosas, então usamos uma agenda.

O que mais adoram fazer?

Ver filmes e séries, gostamos de desenhar. A Inês gosta de visitar obras de Arquitectura super aleatórias que ninguém entende nada e eu gosto de ir com ela porque ela gosta de me chatear com o que aprendeu – dou por mim a ficar fascinada com a admiração dela pelos eixos das janelas. Gostamos de pôr a conversa em dia, de ir à praia ou muito cedo ou muito tarde só para ver o mar. Eu gosto de correr e viajar e secretamente de estudar medicina e aprender sobre a máquina humana (e pagar à Inês todas as explicações sobre eu sei lá que edifício ou arquitecto com o funcionamento deste ou daquele órgão).
Podíamos estar aqui o dia todo a sério.

Conselhos para quem quer iniciar-se no journaling?

Não é preciso muito, nem sequer ter “um arsenal” de papelaria – vem com o tempo (e com a obsessão). Na verdade tudo o que precisam é um caderno e uma caneta, e pode ser liso, quadriculado, pautado, um qualquer. E isto é tudo uma experiência na verdade e depois é adaptação ao que mais gostam – eu por exemplo nunca tenho dois spreads semanais iguais, é a minha cena (a minha irmã chama-lhe “barroco” mas é o que eu gosto) mas a Inês gosta de fazer o spread na vertical e só descobriu 6 meses depois. Mas na verdade, o básico e essencial aprendi com o criador do método, Ryder Caroll que também é um TED talker, no seu site Bullet Journal.

Journaling é mindfulness?

Sem dúvida. Eu sei, estamos a pensar no que vamos fazer a seguir, mas tudo o que não é essa to-do list é mindfulness – é esta consciência de como foi o nosso dia, do que gostamos e de como nos estamos a sentir.

Instagram: @Bambiyoda

You may also like

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *