Dietas – Nutrição Personalizada

Hoje falamos sobre Dietas…

Não podemos negar que estamos a viver um momento de mudanças no Paradigma da Nutrição e no Estilo de vida Saudáveis. Começamos finalmente a despertar para a importância da Alimentação na nossa Saúde e cada vez mais vemos as pessoas a procurar alterar os seus hábitos alimentares. Esta consciencialização deixa-me muito feliz mas ao mesmo tempo preocupa-me a excessiva preocupação e radicalismo que assistimos diariamente face a este assunto.

É quase impossível não sermos diariamente inundados com informação através dos media sobre novas teorias nutricionais, novas dietas ou novos superalimentos que prometem emagrecer, dar-nos energia e aliviar/tratar todos os nossos problemas. Todos os dias surgem novas dietas e “modas” alimentares e infelizmente quase todas as pessoas já leram um livro ou um artigo sobre nutrição ou uma dieta específica que tendem a promover e incuti-la no seu núcleo de amigos e família.  É frequente ouvirmos frases como “devias parar de comer X…”, “sabes quantas calorias tem isso?”, “devias fazer um detox para ajudar a limpar/desintoxicar o organismo”, “já ouviste falar no jejum prolongado? Dizem que se perde imenso peso!”, estes são só alguns exemplos do que podemos ouvir e isto é o que me assusta. Por favor antes de começarem alguma dieta radical consultem um especialista… um nutricionista para vos ajudar a alcançar o que pretendem!

Temos a sorte de viver num período onde a informação e o conhecimento nos é de fácil acesso, no entanto, isso não significa que toda a informação seja correta ou adequada às nossas necessidades. É importante que finalmente estejamos a acordar para a necessidade de mudar os nossos hábitos alimentares, mas é igualmente importante que essas mudanças aconteçam de forma adequada e gradual. O stress e/ou obsessões muitas vezes associados ao cumprimento de uma dieta, as restrições radicais em tudo o que gostamos e estamos habituados a comer, do dia para a noite, não irão trazer os resultados, nem a saúde e o bem-estar que procuramos. Normalmente é fácil seguir-se uma dieta por algumas semanas, talvez meses se estiverem muito determinados, mas podem estar a originar vários desequilíbrios psicológicos e/ou nutricionais se stress e as privações forem demasiadas. Este aumento frenético e exponencial sobre um conceito erróneo de nutrição pode levar-nos no futuro a um aumento igualmente considerável de distúrbios alimentares.

Precisamos de aprender a comer novamente, chamam-me antiquada mas acredito que no que respeita a alimentação precisamos de recuar uns bons anos, temos de nos lembrar que costumávamos dispensar tempo a cozinhar, sabíamos de onde os alimentos provinham, cozinhávamos com ingredientes da época, da horta do vizinho ou da mercearia local porque não existia a rede de transporte que dispomos hoje em dia. Não comíamos todos os dias carne, cocos, bananas, abacates… porque eles simplesmente não estavam disponíveis tão facilmente. Por favor não me interpretem mal… eu não estou a menosprezar os óptimos benefícios nutricionais destes alimentos (quando de boas fontes), estou apenas a relembrar que tudo em excesso pode ser prejudicial. Outro aspecto importante de sublinhar é o facto de todos sermos diferentes, por isso as nossas necessidades nutricionais serão igualmente diferentes, motivo porque algumas dietas não se adaptam a algumas pessoas e o motivo porque eu não gosto do conceito de dieta.

Este artigo não é para vos fazer desistir de começarem a seguir uma alimentação saudável, é sim para vos ajudar a não se sentirem confusos e ajudar-vos na forma como iniciar esse caminho. Quero encorajar-vos a fazer essas mudanças mas relembrar que precisam de dar a vocês mesmos, ao vosso corpo e mente tempo para reaprenderem a comer, criar novos hábitos e reequilibrarem-se. Não se devem sentir pressionados antes de cada refeição, preocupados com o que podem comer, nem recriminarem-se se comeram aquela fatia de bolo, pedaço de chocolate ou o que tenha sido que vos apeteceu naquele momento, pensando que esse “deslize” vai estragar a vossa “dieta”. Esses pensamentos só geram sentimentos de culpa, stress e raiva para connosco, e isso não é definitivamente a base para um estilo de vida saudável e pleno.

Quero ainda reforçar que não têm de optar por seguir uma dieta restritiva, seguir a dieta paleo, vegan, glúten-free, cetónica, etc…, para começar a mudar hábitos. Comessem por fazer pequenas mudanças na vossa alimentação, de forma consciente, comecem por perceber os benefícios dos alimentos, ouvir as necessidades do vosso corpo e observar as mudanças, lembre-se mudanças radicais não trazem benefícios duradouros.

Para vos ajudar a iniciar estas mudanças conscientes, deixo-vos algumas sugestões sobre o que devem começar a mudar no vosso dia-a-dia de forma a realizarem uma alimentação mais saudável:

1 – Reduzir ao máximo o consumo de açúcar refinado

Este será um passo super importante a dar, e acreditem será difícil no início porque como sabemos o açúcar é altamente aditivo e infelizmente encontra-se actualmente presente em quase todos os produtos processados, mas vocês conseguem! Comecem por limpar a dispensa de todos os produtos processados – bolachas, molhos, snacks, barritas, cereais, comida pré-feita, pizzas congeladas, etc.. Se não tiverem esses produtos em casa, simplesmente não os vão consumir!

Opções Saudáveis para substituir – Chocolate negro (mínimo 70% cacau), mel orgânico, bolachas/bolos caseiros confeccionados com açúcares naturais, tâmaras, frutos secos, fruta…

2 – Substituir os hidratos de carbono de absorção rápida (Elevado Índice Glicémico) pelos de absorção lenta

Prefiram cereais integrais como o arroz integral, selvagem, quinoa, millet, trigo-sarraceno, aveia, batata-doce.

3 – Abastecer o frigorífico com vegetais e incorpora-los em todas as vossas refeições (mesmo ao pequeno-almoço!).

Comecem a conhecer os mercados/praças locais e passem a fazer as vossas comprar lá, comprar os produtos aos agricultores locais ajuda a economia local e os produtos são geralmente mais baratos. Sempre que puderem escolham produtos biológicos ou orgânicos pois não são sujeitos ao uso de pesticidas.

4 – Comecem a planear e cozinhar as vossas refeições. Evitar o consumo de refeições pré-confeccionadas é um passo gigante para comer de forma mais saudável.

Se tiverem filhos eles devem começar a fazer parte da rotina de cozinhar, tornem o momento de cozinhar, preparar os alimentos num momento educativo, de diversão, eles vão aprender com o vosso exemplo, irão compreender a importância dos alimentos e no futuro irão estar seguir estilos de vida saudável de forma natural!

5 – Disponham de pelo menos 30 minutos para a vossa refeição.

Procurem desfrutar da vossa refeição num ambiente calmo, onde se possam sentar, comer de forma consciente, sem pressas e o mais importante de tudo… Mastiguem o máximo de vezes que conseguirem! Não podia reforçar mais a importância de mastigar os alimentos, sabiam que a digestão começa na boca? A nossa saliva é rica em enzimas que ajudam a digerir a comida e facilitam a sua absorção. Por isso… tudo a mastigar! =D

6 – Desfrutar sem sentimento de culpa os vossos “guilty pleasures” (prazeres gustativos!)

Quando vos apetecer aquela fatia de bolo, chocolate, ou aquelas batatas fritas, não se privem constantemente. Quando decidirem ceder ao desejo, não há problema, mas desfrutem ao máximo desse “pecado”, comam devagar, mastiguem apreciando cada dentada e não se culpabilizem ou aumentem as restrições no dia seguinte. Um dia não são dias e vocês irão ver que um dia esses desejos desaparecem… sejam pacientes convosco!

You may also like

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *