Síndrome do Ovário Policístico (SOP)

Foi-lhe diagnosticado o Síndrome do Ovário Policístico e gostava de saber o que pode fazer para controlar esta patologia de uma forma natural? Aqui ficam algumas sugestões, não deixando de explicar o que caracteriza este Síndrome.

O que é o Síndrome do Ovário Policístico (SOP)?

O Síndrome do Ovário Policístico é um dos desequilíbrios hormonais mais comum entre as mulheres e uma das principais causas de infertilidade (estima-se que afete cerca de 5 a 10 das mulheres em idade fértil).

As suas causas ainda não são totalmente conhecidas, no entanto, sabe-se que o seu desenvolvimento ocorre devido a uma conjugação de fatores:

  • Predisposição genética;
  • Alterações hormonais a nível dos ovários – aumento de produção de estrogénio;
  • Aumento de hormonas masculinas (testosterona);
  • Desequilíbrios a nível das glândulas supra-renais (responsáveis por produção da hormona de stress – Cortisol);
  • Considerável resistência à insulina (incapacidade das células utilizarem a insulina de forma adequada na conversão de glucose (açúcar) em energia);
  • Excesso de Peso.

Principais Sinais e Sintomas:

  • Ciclos menstruais irregulares;
  • Ausência de menstruação;
  • Ausência de ovulação;
  • Infertilidade;
  • Acne;
  • Excesso de pelo corporal (essencialmente na face);
  • Excesso de Peso/Obesidade (Gordura corporal especialmente na região abdominal);
  • Alterações de humor;
  • Depressão;
  • Ansiedade.

Nota: Importante referir que nem todas as mulheres experienciam todos os sintomas referidos e a sua severidade e prevalência diferem de mulher para mulher.

O seu Diagnóstico Clínico só é determinado quando dois dos três critérios estão presentes:

  • Presença de 12 ou mais folículos ou aumento de volume no(s) ovário(s) observável na ultra-sonografia pélvica;
  • Ciclos menstruais irregulares, ausência de menstruação ou ausência de ovulação;
  • Sinais de hiperandrogenismo (acne, excesso de pelos corporais).

Quais as Soluções Naturais para controlar e minimizar os Sintomas do SOP?

Adoção de uma dieta adequada é fundamental para minimizar e controlar os sintomas. Desta forma, são aconselhadas as seguintes mudanças na sua dieta:

  • Eliminar açucares refinados incluindo os adoçantes artificiais e substituir os hidratos de carbono com alto índice glicémico pelos de baixo índice glicémico e ingeri-los conjuntamente com uma fonte de proteína.  

Os Hidratos de Carbono de baixo índice glicémico são absorvidos mais lentamente pelo organismo, prevenindo elevadas concentrações de glucose (açúcar) no sangue e consequentemente reduzindo a necessidade do pâncreas produzir insulina. A adição de proteína à refeição beneficia este processo uma vez que a sua absorção ocorre de forma lenta pelo organismo o que consequentemente ajuda a promover uma absorção gradual dos hidratos de carbono.

Fontes de Hidratos de Carbono de Baixo Índice Glicémico: Arroz integral, Trigo-sarraceno, Millet, Aveia, Espelta, Centeio, Quinoa.

Importante: procure escolher fontes proteicas de boa qualidade, se optar por origem animal opte por carnes alimentadas a pasto, de produtores locais que não sejam sujeitas a elevadas doses de hormonas e antibióticos. Privilegie peixe de captura e não de Aquacultura, pelos mesmos motivos. Pode também optar por fontes de proteína não animal como por exemplo: frutos secos, leguminosas (feijão, grão, lentilhas), sementes (chia, linhaça, Cânhamo).

  • Aumentar ingestão de Omega 3

Os Ácidos gordos Omega 3 ajudam a tornar as nossas células mais sensíveis à insulina o que permite que a glucose seja absorvida eficazmente, diminuindo a sua concentração no sangue. O ómega 3 ajuda igualmente a reduzir a produção de hormonas masculinas o que beneficia consideravelmente a redução de sintomas como o acne e o excesso de pelo corporal.

Fontes de Omega 3: Salmão Selvagem e de captura, Bacalhau, Sardinha, Atum, Cavala, Sementes de Cânhamo e Linhaça, Nozes.

  • Eliminar os Lacticínios

Os lacticínios contêm uma substancia denominada fator de crescimento semelhante à insulina tipo 1 (IGF-1), que se assemelha à estrutura da insulina. Esta substância estimula a produção de hormonas masculinas e de andrógenos pelas glândulas supra-renais, o que pode causar sintomas como Acne e o Excesso de Pilosidade.

  • Aumentar o consumo de Vegetais e Leguminosas, procure que estejam presentes em todas as suas refeições

O consumo de vegetais e leguminosas aumenta a produção de uma proteína denominada SHBG que ajuda na eliminação excessiva das hormonas masculinas presentes nas mulheres que sofrem de SOP.

  • Reduzir ao máximo o consumo de Álcool e Cafeína  

O nosso fígado é responsável pela desintoxicação e eliminação do excesso de hormonas produzidas. Eliminar o consumo de álcool ajuda a que o fígado esteja apenas focado na metabolização e eliminação dessas hormonas e não preocupado com a metabolização do álcool.

A redução da Cafeína é igualmente recomendada visto que mulheres com SOP possuem normalmente elevados valores de Cortisol (conhecida pela hormona do stress e responsável por aumentar a disponibilidade de glucose no sangue). O consumo de cafeína irá estimular as glândulas supra-renais a produzir mais Cortisol o que consequentemente leva a alterações constantes nos valores de glucose no sangue.

  • Praticar regularmente exercício físico

Importante para o controlo e perda de peso, as mulheres com SOP têm tendência a excesso de peso e dificuldade em perde-lo.

Aconselho a prática de yoga e pilates uma vez que estas atividades ajudam igualmente a reduzir os níveis de stress, promovendo um equilíbrio físico e psíquico necessário na estabilização dos sintomas.

Importante: Estão aqui apenas referidas algumas das alterações aconselhadas à sua alimentação, contudo relembro que cada mulher é diferente, os seus sintomas são distintos assim como todo o seu historial clínico. É neste sentido que sublinho a importância de consultar um especialista – médico ginecologista assim como um nutricionista para que seja acompanhada de forma personalizada e diferenciada!

BIBLIOGRAFIA: Glenville, M. (2012); NICE (2013); Hopkinson, Z. et all (1998).

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